quinta-feira, 16 de junho de 2011

O novo acordo da ortografia (Reportagem total)

Ao falar sobre o novo acordo ortográfico implica saber que em termos históricos já se fizeram muitas tentativas de unificação da ortografia da língua portuguesa. A primeira data 1911, depois existiram várias tentativas, a mais importante em 1990 que está por detrás de todo o celeuma levantado actualmente sobre esta questão.




O novo acordo ortografico entrou em vigor em Janeiro de 2009 em Portugal, mas até 2015 decorre um período de transição, durante o qual se pode ainda utilizar a grafia actual.








O que muda com o novo acordo ortográfico?


O alfabeto passará de 23 para 26 letras, será incluído o K, o W e o Y.



O uso de maiúsculas e minúsculas obedece a novas regras:


Os meses do ano e os pontos cardeais deverão ser escritos em minúsculas (ex: janeiro, fevereiro e norte e sul...).


Pode-se usar maiúsculas ou minusculas em titulos de livros, no entanto a primeira palavra será sempre maiúscula (ex: As Palavras Que Nunca Te Direi ou As palavras que nunca te direi).


Também se pode utilizar grafia dupla em expressões de tratamento (ex: Exmo. Sr. ou exmo. sr.) em sitios públicos e edificios (Praça da República ou praça da república) e em nomes de disciplinas ou campos do saber (Matemática ou matemática).



A suprecção de consoantes que não se pronunciam quando ditas as palavras, será levar ao desaparecimento das mesmas, ou seja:


- CC - ex: transacionado, lecionar. Mantém-se em friccionar, perfeccionismo, por se articular a consoante.


- CÇ - ex: reação, ação, ereção. Mantém-se em facto, bactérias, octogonal.


- CT - ex: atual, projeto, teto, ato. Mantém-se em facto, bactéria, octogonal.


- PC - ex: percecionar, anticoncecional. Mantém-se em núpcias, opcional.


- PÇ - ex: adoção, conceção. Mantém-se em corrupção, opcão.


- PT - ex: Egito, batismo. Mantém-se em inapto, eucalipto.


Passam também a ser suprimidos alguns acentos gráficos em palavras graves nas palavras: crêem, vêem, lêem que passam a creem, veem e leem; pára, pêra, pêlo, pólo passam a para, pera, pelo e polo.


As palavras acentuadas no ditongo oi e ei passam a ser escritas sem acento, ex: estoico, paleozoico, asteroide e boleia, plateia e ideia.


Supressão do acento circunflexo em abençoo, voo, enjoo.



O uso do hífen




O uso do hífen vai ser suprimido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o sufixo começa em r ou s, dobrando essa consoante, ex: cosseno, ultrassons, ultrarrápido.


O prefixo termina em vogal diferente da inicial do sufixo, ex: extraescolar, autoestrada, intraósseo.

O hífen emprega-se em palavras compostas onde a última vogal do prefixo coincide com a inicial do sufixo, excepto o prefixo CO- que se aglutina ao sufixo iniciado por O: contra-almirante, micro-organismo, coobrigação.


Palavras que se designam espécias da Biologia ou Zoologia: águia-real, couve-flor,cobra-capelo.


Dupla grafia em algumas palavras


Está prevista no novo acordo ortográfico por existirem diferenças na pronúncia de país para país, assim temos:


Característica – caraterística


Intersecção – interseção


Infeccioso – infecioso


Facto – fato


Olfacto – olfato


Concepção – conceção


Súbdito – súdito


Amnistia – anistia


Amígdala – amidala


Subtil – sútil


Académico – académico


Ingénuo – ingénuo


Sénior – sénior


Cómico – cómico


Vómito – vômito


Fémur – fêmur


Abdómen – abdómen


Bónus – bónus


Bebé – bebê


Judo – judo


Metro – etro


Andámos – andamos





Argumentos a favor do acordo ortográfico


- aproximação da oralidade à escrita


- simplicidade de ensino e aprendizagem


- unificação de todos os países de língua oficial portuguesa


- fortalecimento da cooperação educacional dos países da CPLP


- evolução da língua portuguesa


- pequena quantidade de vocábulos alterados (1,6% em Portugal e 0,45% no Brasil)


Argumentos contra o acordo ortográfico


- evolução não natural da língua


- tentar resolver um “não-problema”, uma vez que as variantes escritas da língua são perfeitamente compreensíveis por todos os leitores de todos os países da CPLP


- desrespeito pela etimologia das palavras


- a não correspondência da escrita à oralidade. Por exemplo, existem consoantes cuja função é abrir vogais, mas que o novo acordo considera mudas nomeadamente em tecto, passando a escrever-se teto, dever-se-ia ler como teto (de seio)?


- processo dispendioso (revisão e nova publicação de todas as obras escritas, os materiais didáticos e dicionários tornar-se-ão obsoletos, reaprendizagem por parte de um grande número de pessoas, inclusivé crianças que estão agora a dar os primeiros passos na escrita)


- o facto de não haver acordo, facilita o dinamismo da língua, permitindo cada país divergir e evoluir naturalmente, pelas próprias pressões evolutivas dos diferentes contextos geo-sócio-culturais como no caso do Inglês ou do Castelhano


- afecto com a grafia actual


- falta de consulta de linguistas e estudo do impacto das alterações.



Opiniões e noticias sobre o novo acordo ortográfico.

 












A questão ortográfica da língua portuguesa arrasta-se há quase meio século. Em 1911, com o advento da República, Portugal promoveu uma grande reforma ortográfica da língua. Infelizmente, fê-lo à revelia do Brasil, que era então o outro grande país de língua portuguesa. Implantar uma reforma ortográfica constitui um acto de soberania que não pode ser imposto a outro país. Mas era o que Portugal pretendia, ou seja, que o Brasil adoptasse a ortografia portuguesa de 1911, o que não aconteceu. O pecado original dessa "guerra" ortográfica reside no facto de aquela reforma não ter sido previamente acordada com o Brasil, como o exigia a defesa e promoção da língua portuguesa no mundo.
Outra crítica que advém de certos intelectuais portugueses mais conservadores põe em causa a necessidade sequer de qualquer acordo ortográfico. Sustentam que a língua há-de evoluir nos diferentes países lusófonos e dar origem a outras línguas.


http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/01/485256-novo+acordo+ortografico+ainda+divide+opinioes.html


Muitas são as pessoas que desacordam completamente do acordo ortográfico.
Manifestações e palavras de desagrado já foram lançadas.
Para grande parte da população este acordo não tem porquê de existir, e não faz sentido, como exemplos destes manifestos temos sites como http://www.jrdias.com/jrd-acordo-nao.htm ; http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/ ; http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=998907 ;




Fontes: 
Youtube.com
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/01/485256-novo+acordo+ortografico+ainda+divide+opinioes.html



Por: Ana Rute Almeida Ribeiro Dias Monteiro
2º ano de Comunicação Social
Escola Superior de Educação de Coimbra

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